Os dirigentes “encarnados” querem estar na fase de grupos da prova e estão empenhados em cumprir as exigências da Confederação Asiática. Associação de Futebol de Macau vai dar apoio

 

Vítor Rebelo*

 

Terminada a época do futebol de onze, no que diz respeito aos dois principais escalões, há clubes que têm outras  preocupações de futuro, mesmo preparando o campeonato da “bolinha”, como é o caso do Benfica. Depois do tetra no “bolão” e ultrapassadas as dúvidas, em termos de continuidade de investimento, como aconteceu no arranque da temporada que agora findou, o Benfica começa a pensar na sua participação na Taça da Confederação Asiática de Futebol (AFC), a cerca de cinco meses de se iniciar a prova.

O clube deverá ser o único de Macau interessado nas andanças do futebol internacional, neste caso a nível asiático, pelo menos foi isso que ressaltou da reunião dos dirigentes da Confederação com os representantes das equipas da Liga de Elite, ocorrida em Abril em Macau.

Nesse encontro, cujo objectivo principal era a divulgação, por parte da Confederação Asiática, das novas regras (exigências) para que os clubes soubessem o que fazer para cumprir os regulamentos de acesso, ficou a saber-se que somente o Benfica respondeu afirmativamente à intenção de obter a licença de participação na Taça AFC.

Terá sido uma primeira abordagem para saber quem efectivamente quer entrar na competição, chegando-se à conclusão, nesta fase ainda distante do início da próxima edição, que Monte Carlo, Chao Pak Kei ou até mesmo o Ka I, não se mostraram disponíveis para “abrir os cordões à bolsa” e participar

 

Consulado termina II Divisão

no terceiro lugar da tabela

Chegou ao fim o segundo escalão do futebol de Macau, depois da derradeira partida, na noite de sexta-feira, com a equipa da Alfândega a vencer o Tim Iec por 1-0 e assegurar a subida à Liga de Elite da próxima temporada onde fará companhia ao Hang Sai, campeão da II Divisão. Com os resultados verificados na décima oitava ronda, o Consulado fecha a época num excelente terceiro posto, com 29 pontos, mais um do que Tim Iec e mais dois do que a Casa de Portugal. Descem à III Divisão, Ieong Heng, Tong Kuok Kei Lam e Chuac Lun.

na AFC Cup. Para além da vontade que todos teriam de poder jogar nas competições internacionais, será necessário um investimento alto, que não estará nesta altura ao alcance de todos.

A excepção parece continuar a ser o Benfica, que nas palavras do homem forte para o futebol, Duarte Alves, confirma-se a intenção de regressar ao contacto asiático. “Nós fomos de facto os únicos a mostrar claramente que estamos interessados em ir de novo à Taça AFC e dissemos isso na reunião com os dirigentes da Confederação Asiática. Mas ficámos a saber que, para obter uma licença inicial de participação, é necessário cumprir uma série de novas regras, novas exigências, que nós iremos procurar satisfazer”.

Essas exigências são bastante diferentes das que foram impostas pela Confederação Asiática, aquando da presença das “águias” em 2015 e 2016, em que o conjunto de Henrique Nunes não conseguiu passar do “play-off” de acesso à fase de grupos.

Já depois disso e quando o Benfica tencionava corresponder ao convite da Confederação, graças à reestruturação da própria Taça AFC, gerou-se aquela controvérsia que é conhecida, mas nunca devidamente esclarecida, em que a Associação de Futebol de Macau não terá interpretado da melhor maneira as informações enviadas, por email, pela a Confederação Asiática, o que atirou por terra a hipótese dos “encarnados” poderem continuar em prova.

Duarte Alves chegou mesmo a pôr em causa a continuidade do projecto, pelo menos nos moldes dos anos anteriores, considerando que só fazia sentido se o Benfica estivesse envolvido na Taça AFC, a única competição asiática de clubes em que o futebol de Macau pode participar.

Recorde-se que há já alguns anos que Mohammed bin Hammam, na altura presidente da Confederação, decidiu que países ou territórios como Macau não poderiam colocar o seu campeão a participar na Liga dos Campeões Asiáticos, nem mesmo na fase de eliminatórias, pelo facto do futebol da RAEM ter um baixo ranking.

Agora, com o quarto campeonato garantido, os dirigentes benfiquistas parecem querer apostar forte na prova, mostrando-se empenhados em resolver as tais exigências asiáticas. “Estamos já a trabalhar no processo, porque há várias exigências que terão de ser cumpridas, como contratos com os jogadores e treinadores de acordo com os regulamentos da FIFA e com as leis laborais de Macau; responsáveis pela imprensa, segurança e gestão, com contratos estabelecidos com o clube; possuir um estádio onde treinar e jogar; ter as contas auditadas relativas ao ano transacto; ter um programa para as escolas e possuir equipas de Sub 16 e Sub 18, ou então ter uma parceria com outros clubes”, sublinha Duarte Alves.

Relativamente à parceria, o Benfica tem um dos seus jogadores, Cuco, ligado ao Show di Bola e “isso resolve o problema”. Quanto às equipas de Sub 16 e Sub 18, “o Benfica promete fazer equipas desses escalões, embora sabendo-se que há algumas dificuldades para o concretizar”, considera o dirigente dos campeões do território.

São estas então as exigências básicas para um clube garantir a presença na fase de grupos da Taça AFC, cujo sorteio da próxima edição deverá realizar-se em finais de Outubro, princípios de Novembro, em Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde se situa a sede da Confederação Asiática.

 

Apoio associativo

Para Duarte Alves, a prova irá permitir que o Benfica seja anfitrião de três jogos, “mas para isso teremos de ser responsáveis pela logística, pela acomodação das equipas adversárias e para isso vamos falar com várias entidades, no sentido de conseguir os apoios e patrocínios indispensáveis.

Daniel Sousa, vice-presidente da Associação de Futebol de Macau, confirma o interesse do Benfica na Taça AFC e diz que as conversações já começaram. “Estamos em contacto para que se possam alcançar as exigências da Confederação Asiática, que efectivamente são bastante diferentes do passado. Eles vieram cá e informaram os clubes e a Associação. Já todos sabem como será possível obter a licença de participação.”

Noutras áreas da conversa que o Jornal TRIBUNA DE MACAU manteve com o número dois da Associação, ficámos a saber que o campeonato de futsal vai voltar a ser organizado, devendo começar em Outubro, depois de terminada a bolinha. “Estamos a conversar com o Instituto do Desporto para sabermos qual a disponibilidade do pavilhão do Estádio de Macau, por causa das datas. Iremos manter o modelo o ano passado, com as mesmas 16 equipas, divididas por dois grupos. Se houver desistências vamos convidar outras a participar. No que diz respeito às regras, queremos aperfeiçoar, em especial no que diz respeito ao tempo de jogo, mas isso também depende da disponibilidade de pavilhão, porque é difícil de controlar”, afirmou Daniel Sousa.

Quanto à “bolinha”, as inscrições serão feitas na próxima semana.

 

*Jornalista