Benfica poderá perder a liderança após o empate em Paços de Ferreira

Apesar do domínio “total”, o Benfica ficou em branco em Paços de Ferreira e os dois pontos perdidos poderão custar-lhe a liderança. Como lhe competia, o Sporting venceu mas não brilhou em Alvalade, onde Bas Dost voltou a bisar

 

Costa Santos Sr*

 

Ninguém pensava em facilidades, mas “admitia-se” que o Benfica, com ou sem “estrelinha”, lograsse vencer um Paços de Ferreira em crescendo mas sem os argumentos do adversário. E, na primeira parte, a equipa pacense sofreu uma asfixia total, remetida à sua grande área e linha média, incapaz de sair a jogar e apoquentar a defesa benfiquista. O importante era defender e não deixar o Benfica marcar. E isso aconteceu, mau grado a tal superioridade táctica, técnica e territorial.

No segundo tempo houve um pouco mais de equilíbrio, mas sem que o Paços de Ferreira tivesse jogado “olhos nos olhos”. É verdade que atirou uma bola à barra, mas quantas bolas foram desviadas no “último momento” antes do remate fácil e certeiro, junto à baliza pacense?

Numa linguagem mais “corrente”, os pacenses fecharam-se a sete chaves, com “cadeados” e tudo, e o Benfica, por muitas chaves que levasse, ou muitos remates que fizesse, não conseguiu encontrar a ideal para chegar ao êxito.

Rui Vitória reconheceu isso mesmo: “Faltou-nos ser mais eficazes na finalização. Fizemos tudo bem até ao momento do remate e, aí, não encontrámos a eficácia que é normal ter!”

Em Alvalade, registou-se a vitória de um Sporting pragmático, tranquilo mas a jogar q.b. para garantir os três pontos. Bas Dost voltou a bisar (aos 13 e 34 minutos), mostrando a sua eficácia, mas o que se viu, nos 90 minutos, foi uma equipa superior em todos os capítulos de jogo mas a “não lutar” por colocar números mais altos, no placard.

Este Nacional, que Jokanovic ainda não conseguiu “ajudar” a ganhar, está descrente. Até o seu ponto forte, os remates de meia distância – com Salvador Agra a ser o “especialista” – não funcionaram, em Alvalade. Por isso, com dois golos de vantagem e com um adversário que, mesmo tentando o ataque e rematando, não causava qualquer tipo de perigo, os “leões” adormeceram e não forçaram a nota. Jogaram a maioria do tempo no meio-campo adversário mas faltou-lhes velocidade e o engenho para criar espaços precisos para a finalização. Não conseguiram gerar “buracos” na melhorada estrutura defensiva nacionalista.

Jorge Jesus não se furtou à análise e foi claro nas suas ideias: “Depois da saída do Alain Ruiz [aos 61 minutos] a equipa perdeu qualidade de jogo, perdeu velocidade. Na primeira parte gostei, como gostei dos golos. Na segunda parte foi pena que não tivéssemos mais ‘engodo’ pelo terceiro golo”.

No Estoril, quando se joga sobre “brasas” e a necessidade de vencer é maior do que tudo o resto, não se podia exigir um futebol escorreito, tão prático quanto eficiente. E, se do “outro lado”, estiver uma equipa que “não se importa” de levar apenas um pontinho, é quase certo e seguro que o empate será o resultado final. E foi. O Estoril forçou a nota, tentou a sorte, mas encontrou um Boavista muito bem organizado defensivamente e ameaçador no contra-ataque, impondo por isso também cautelas defensivas aos homens da “linha”. O nulo espelha o jogo.

Em Moreira de Cónegos, a mesma coisa, porém, as duas equipas (Moreirense e Tondela) apostavam apenas na vitória. A razão é fácil de encontrar: ocupam a antepenúltima e penúltima posições da classificação.

E foram os tondelenses que se adiantaram no marcador, aos 20 minutos, por Kaká, na sequência de um canto e um cabeceamento oportuno e certeiro. Correndo atrás do prejuízo, os donos da casa bem se esforçaram, mas a muralha defensiva do Tondela tudo afastava da sua baliza. Foi necessário esperar até ao 84º minuto para, num lance igual ao que deu o golo ao Tondela, o Moreirense restabelecer a igualdade, por Sougou.

Foi um jogo com muito coração, muita entrega, muito nervo e futebol abaixo da qualidade exigida. Mas quando só os pontos contam, não se pode esperar melhor!

No Restelo, Jorge Simão celebrou finalmente uma vitória ao serviço do Sporting de Braga. Um autogolo logo no primeiro minuto de jogo perturbou toda a estratégia que Quim Machado teria preparado para o confronto. O Belenenses correu atrás do prejuízo, mas aos 19 minutos Rui Fonte voltou a dar alegrias ao Braga e consolidou a vantagem.

Não restava outra coisa ao Belenenses senão partir para o ataque. Fê-lo e teve frutos logo aos 24 minutos, quando Maurides, através de uma grande penalidade, reduziu a desvantagem e relançou o jogo. Só que o Sporting de Braga posicionou-se de forma a não dar espaços e tempo ao adversário e este, por sua vez, desperdiçou de forma inglória as ocasiões conseguidas.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto