Com três golos de Cristiano Ronaldo, o Real Madrid garantiu uma vaga nas meias-finais da Liga dos Campeões, depois do Bayern Munique ainda ter conseguido adiar a derrota até ao prolongamento. O Atlético de Madrid também acabou com o sonho do Leicester

 

Costa Santos Sr*

 

O sofrimento merengue teve muito a ver com o modo como Zinedine Zidane montou a estratégia para defrontar o Bayern Munique, que entrou “com tudo” no Santiago Bernabéu, tentando por todos os meios e nos dois flancos (Ribéry num e Robben, noutro) cruzar bolas para uma defesa “madridista” que não é muito famosa nesse estilo. Carlo Ancelloti conhece bem a equipa, sabe os seus pontos fortes e fracos e não hesitou em optar por esse estilo.

E nos primeiros minutos, acertou. Desde o começo do jogo que o Real teve sérios problemas para resolver. Tanto assim que não teve forças ou arte para se desenvencilhar dessa pressão, claramente impeditiva de fazer o seu jogo.

A equipa da casa demorou 25 minutos a “acertar o passo”. Foi nesse minuto que Carvajal deu o primeiro sinal de “vida” e, logo a seguir, Boateng defendeu sobre a linha um remate de Sérgio Ramos.

Até ao intervalo, as duas equipas repartiram os lances de perigo, mas o golo só surgiria aos 53 minutos, numa grande penalidade que deixou muitas dúvidas. Lewandowski não falhou, mas Cristiano Ronaldo, aos 76, também fez Manuel Neuer ir ao fundo da sua baliza buscar a bola que recolocava o resultado numa igualdade. Durou cinco minutos a alegria “merengue” porque um autogolo de Sérgio Ramos colocava o jogo no prolongamento.

Diga-se que o Real não dava sinais de desgaste, respondia e bem, mas faltava o momento em que o “rei” saltasse de novo. E saltou. Aos 105 e 110 minutos, Ronaldo, que já tinha bisado em Munique, acabou com a história, “matou” as dificuldades e reduziu o esforço alemão à sua ínfima espécie. O atirar da toalha ao chão dos pupilos de Ancelotti foi tão evidente que, numa perda de bola, o jovem Asensio foi “por onde quis” e rematou certeiro para o quarto golo do Real. Impensável tudo isto na primeira meia-hora de jogo, mas o futebol é assim. E Ronaldo continua “assim”.

Já o Leicester bem se esforçou mas não conseguiu inverter a desvantagem sofrida no Vicente Calderón (0-1). No entanto, o campeão inglês em título deu boa conta do recado e o empate final (1-1) diz muito do seu empenho e capacidade para fazer sofrer os pupilos de Diego Simeone. Não chegou, é certo, para os objectivos dos ingleses mas despediram-se da “Champions” com um resultado e uma exibição que não deslustra.

Saúl Ñíguez adiantou os “colchoneros”, aos 26 minutos, mas Jamie Vardy, aos 61, acabou por colocar alguma justiça no desfecho da partida.

 

O primeiro a marcar 100 golos na “Champions”

Com o “hat-trick” frente ao Bayern, Cristiano Ronaldo tornou-se o primeiro futebolista a atingir os 100 golos nas Liga dos Campeões. Sem contabilizar jogos de pré-eliminatória, o extremo português cumpriu o seu 137º jogo na “Champions”, 10 anos depois de se ter estreado a marcar nesta competição, ao serviço do Manchester United, em Abril de 2007.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto