Benfica desfez as dúvidas na segunda parte
Benfica desfez as dúvidas na segunda parte

No fecho da 25ª jornada da I Liga Portuguesa, o Benfica também aplicou “chapa quatro”. As “águias” mostraram no segundo tempo que o adversário da noite não podia sonhar

 

Costa Santos Sr*

 

Quatro golos sem resposta foi o resultado do Benfica-Belenenses. E justo, adiante-se. No entanto, mesmo depois do golo da André Almeida, estavam jogados apenas 12 minutos, os encarnados pareciam demonstrar que estavam em noite de desacerto. Por outras palavras: um Benfica dominador, senhor e dono da bola, com lances ofensivos bem delineados, mas sem inspiração finalizadora.

Mesmo com as “ameaças” do técnico “azul”, Quim Machado, de que iria à Luz para ser primeira página dos jornais, sabia-se que o Belenenses não levaria para o relvado uma estratégia-surpresa, um dispositivo atacante. Como era natural e óbvio, porque cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

E o golo “madrugador” de André Almeida, poderia obrigar a mudar tudo se, de facto, houvesse a intenção inicial de surpreender. Mas, o Belenenses não mudou, ou não foi capaz de mudar. Por isso, o Benfica jogou como entendeu, dominou em todo o terreno, embora não tenha tirado de tudo isso proveito no marcador. Ou por a pontaria atacante esta “desafinada” ou por na hora de rematar se optar por mais uma finta ou mais um passe, a verdade é que o intervalo chegou com os donos da casa com magra vantagem no marcador e larga superioridade nas restantes vertentes do jogo.

Terá este “cenário” convencido Quim Machado que poderia arriscar mais ? Ele o saberá. Mas o que aconteceu foi que, no segundo tempo, o Belenenses esticou mais o seu jogo, mostrou-se mais agressivo no ataque, chegou mesmo a criar problemas a Ederson. Só que, esticada a manta, os pés “ficaram de fora”, houve mais espaço para os avançados da casa, mais tempo para pensar os lances e em quinze minutos, ficou resolvida a questão, sem apelo nem agravo, com dois golos (Mitroglou e Salvio, aos 52 e 60 minutos, respectivamente) que deitaram os sonhos – se os houve – por terra e retiraram a tal possibilidade de Quim Machado ser manchete dos jornais…

Mas, teria pensado isso mesmo? Acreditamos que não. O treinador, melhor do que  ninguém, sabe e conhece as limitações do seu plantel, desde o bloco defensivo ao ataque e, pior do que isso, tinha consciência que o adversário não iria adormecer nem perder tempo em se reinstalar no “trono”. Jogou na força psicológica mas perdeu em toda a linha.

Para fechar a contagem, Jonas, aos 90+1, “picou o cartão”.

Uma vitória justa, perfeitamente condizente com o que se passou no relvado, que mantém o Benfica na liderança do campeonato com 63 pontos, mais um do que o FC Porto.

 

Nacional não aproveita

No Funchal, realizou-se o Nacional-Paços de Ferreira que tinha sido adiado devido à ventania que tornou o aeroporto da ilha inoperacional no sábado passado.

Era um jogo crucial para os insulares, frente a uma equipa que, para garantir tranquilidade classificativa, também quer somar pontos. A jogar em casa, os nacionalistas não tinham outra opção senão ganhar, mas quedaram-se pelo empate. Estiveram mesmo a perder durante largos minutos – depois de Pedrinho ter marcado para os pacenses aos 32 minutos, os anfitriões só restabeleceram a igualdade aos 78 por Cádiz – com um futebol desgarrado, com muito empenho mas pouca clarividência. Naturalmente, este estilo beneficiou os visitantes, também eles pouco afoitos no ataque.

A divisão de pontos, muito complicativa para as contas do Nacional, aceita-se. É dos tais jogos em que ninguém merecia ganhar!

 

* Jornalista profissional especializado em desporto