Os recentes acontecimentos gerados pelo trabalho dos árbitros indicados para os jogos da Taça da Liga Moreirense-FC Porto e Setúbal-Sporting, fizeram soar os sinais de alarme para os dirigentes federativos. Na quarta-feira há uma “reunião de urgência”

 

Costa Santos Sr*

 

Estava “escrito” há muito tempo que a renovação do “lote” dos árbitros do primeiro escalão, nunca entendida como necessária e urgente para, de forma progressiva, ir dando “calo” aos mais jovens e permitir-lhes aprender com os mais velhos, viria a causar muitos dissabores.

A indicação de dois jovens, no início desta temporada, para a categoria de “internacionais”, para além da surpresa que causou – Fábio Veríssimo, de Leiria e Tiago Antunes, de Coimbra – pela sua inexperiência, disse, também, que a política deste Conselho de Arbitragem era a de promover jovens, independentemente das provas prestadas primeiro em jogos teoricamente tranquilos e depois nos encontros de maior mediatismo. Fizeram alguns (poucos) dos primeiros e nenhum dos segundos.

Complicada decisão, fundamentalmente, porque o ambiente de suspeição está cada vez mais vivo e as denúncias de “ofertas”, para além de fragilizarem todo o sector, tornam mais “negro” o cenário graças ao silêncio “ensurdecedor” dos dirigentes.

Os árbitros Rui Oliveira (dirigiu 6 jogos na 1ª Liga) e Luís Godinho (dirigiu 10 jogos na 1ª Liga), nomeados, respectivamente, para o Setúbal-Sporting e Moreirense-FC do Porto, não conseguiram esconder que não estavam à altura das tarefas. Culpa deles? Obviamente que não. Culpa de quem os nomeou, exclusivamente, para mais se tivermos em conta o carácter decisivo desses jogos para a continuidade em prova das equipas intervenientes.

Foi ousadia demais – ou ignorância absoluta – desrespeito pelo espectáculo e pelos intervenientes.

É verdade – infelizmente é sempre assim! – que ninguém penaliza os jogadores pelos falhanços incríveis de lances de baliza aberta que, a serem concretizados “suportariam”, sem dificuldade, os erros grosseiros dos “apitadores”; mas os erros grosseiros em vários lances dos jogos ficaram na retina e provocaram reacções que o futebol, há muito, deveria dispensar.

Pela gravidade das coisas, o Conselho de Arbitragem decidiu convocar para quarta-feira uma reunião de urgência com todos os clubes da 1ª Liga e solicitou protecção policial para os árbitros e suas famílias. Num país que conquistou o título de campeões europeu, convenhamos que esta situação não é “cartão-de-visita” que se recomende.

Infelizmente, chegámos a uma situação que seria perfeitamente evitável se os dirigentes tivessem optado pela velha norma de nomear “para os jogos teoricamente mais difíceis os árbitros com mais experiência”.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto