O Presidente chinês defendeu a globalização, ao intervir na cimeira da APEC, pouco depois do homólogo dos EUA ter usado a mesma bancada para exaltar a bilateralidade

 

As nações da região Ásia-Pacífico devem “defender o multilateralismo”, disse Xi Jinping, na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), colocando-se num campo oposto ao de Donald Trump, que garantiu que os EUA evitarão acordos comerciais que sacrifiquem a sua soberania.

“Nas últimas décadas, a globalização económica contribuiu significativamente para o crescimento mundial” e “transformou-se numa mudança histórica irreversível”, frisou o líder chinês Xi na reunião de chefes de Estado e de governo da APEC realizada na cidade vietnamita de Danang.

Xi Jinping defendeu uma globalização económica mais aberta, inclusiva, equilibrada, justa e benéfica para todos. Também advogou uma maior integração comercial na região Ásia-Pacífico e reforçou a sua aposta num comércio global baseado no multilateralismo. “Deveríamos apoiar uma visão multilateral do comércio que permita aos membros em desenvolvimento obter maior benefício do comércio e do investimento”, declarou.

Pouco antes, Donald Trump descartara acordos multilaterais como o Tratado Transpacífico (TPP), do qual se retirou em Janeiro, e defendeu tratados bilaterais que estabeleçam uma relação “justa e recíproca”. “Não entraremos em acordos grandes que nos mantenham de mãos atadas. Devemos assegurar que todos cumprem as regras, o que agora nem todos fazem”, criticou.

“Perderam-se muitas oportunidades para o benefício mútuo porque há gente na qual não se pode confiar, que não segue as regras. Não podemos nem iremos permitir mais isso”, acrescentou o governante americano.

Salientando que no passado os EUA abriram a sua economia sem impor condições, mas esta atitude não foi correspondida, Trump acusou a Organização Mundial do Comércio de aceitar países que não cumpriram as normas da instituição.

Os ministros do Comércio e dos Negócios Estrangeiros presentes na cimeira acabaram por acordar um pacote de acções, a implementar este ano, para manter o crescimento e a integração da região. O documento centra-se nas quatro áreas de debate que o país anfitrião definiu no início do encontro: reforço da integração regional, promoção de um crescimento inclusivo e sustentável, potenciação da competitividade das pequenas e médias empresas, e melhoramento da segurança alimentar e sustentabilidade agrícola para responder às alterações climáticas.

 

JTM com agências internacionais