A ligação aérea directa entre China e Portugal é vista pela Capital Airlines como uma plataforma para África e América Latina. A operação começa a 26 de Julho, dia em que também será aberta uma ligação indirecta a Macau

 

A companhia aérea chinesa Capital Airlines apresentou ontem o voo directo entre China e Portugal, que arranca em 26 de Julho, como uma plataforma para África e América Latina, e disse que quer atingir frequência diária.

“Devido à sua localização geográfica, Portugal é uma plataforma importante de ligação à América Latina e África”, disse à agência Lusa, em Pequim, Wang Yinjun, director de “marketing” da empresa.

O voo terá três frequências por semana – quarta-feira, sexta-feira e domingo – entre a cidade de Hangzhou, na costa leste da China, e Lisboa, com paragem em Pequim, mas “o objectivo é ter um voo diário”, revelou Wang.

A companhia aérea abrirá também um voo entre Macau e a capital chinesa, que coincidirá com a ligação a Lisboa, avançou o responsável, de forma a servir também os 15.000 portugueses que vivem no território.

A Capital Airlines é uma das subsidiárias do grupo chinês HNA, accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul. Wang diz que a companhia aérea vai cooperar com a Azul e a TAP, para que os chineses que viajem para Lisboa possam também chegar ao “Brasil, África e América do Sul”.

“Do ponto de vista geográfico, Portugal é uma escolha eficaz”, notou.

Para o embaixador português em Pequim, Jorge Torres Pereira, a abertura do voo directo trata-se de um “marco”. “Temos a certeza de que aqueles que acreditam no sentido comercial deste voo directo fizeram a aposta certa”, afirmou.

Nos últimos três anos, o número de turistas chineses que visitaram Portugal triplicou, para 183.000, e deverá aumentar “exponencialmente” com a abertura da ligação directa, afirmou, no mês passado, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

“Os chineses que chegam a Portugal são sempre canalizados através de outra porta na Europa, nomeadamente através de Espanha (…), o que leva a que passem poucas noites em Portugal”, disse à Lusa, em Pequim, Ana Mendes Godinho, afirmando que o grande objectivo é “inverter essa tendência”.

O voo entre Pequim e Lisboa demorará cerca de 13 horas; no sentido inverso, demorará 12 horas. A actual ligação mais rápida entre a capital dos dois países demora 14 horas, com escala em Frankfurt, na Alemanha.

Huang Songfu, antigo embaixador da China em Portugal, considerou que o voo directo “terá grande significado para os laços políticos e económicos” entre os dois países, lembrando que “os portugueses ajudaram os chineses a conhecer o mundo”. “Quando os portugueses chegaram à China, o nosso mapa mundo era incompleto: nós não conhecíamos outros cantos do mundo”, disse.

A cerimónia de lançamento do voo decorreu num hotel em Pequim e contou com a participação de mais de uma dezena de órgãos de comunicação chineses e representantes de cadeias hoteleiras e agências de viagem locais.

A China é já o maior emissor mundial de turistas e, segundo estatísticas oficiais, 135,1 milhões de chineses viajaram para fora da China continental, em 2016, num aumento de 12,5% em relação ao ano anterior. O crescente poder de compra e maior facilidade em obter o visto para muitos países explicam o rápido aumento do número de turistas chineses.

A acompanhar este fluxo crescente, o Turismo de Portugal tem, desde 2014, uma representação permanente em Xangai, a “capital” económica da China. Portugal conta também com nove centros de emissão de vistos no país asiático, distribuídos pelas cidades de Pequim, Xangai, Hangzhou, Nanjing, Chengdu, Shenyang, Wuhan, Fuzhou, Cantão.

 

JTM com Lusa