Os navios de cruzeiro vão ser proibidos de navegar pelo centro histórico de Veneza, anunciou o Governo italiano

 

O ministro de Infra-estruturas e Transportes da Itália, Graziano Delrio, anunciou restrições aos “grandes navios” em Veneza após uma reunião interministerial com autoridades da capital do Veneto, visando definir uma solução para um problema que atormenta há anos os moradores daquela cidade.

De acordo com a agência ANSA, Delrio já tinha feito uma promessa similar em 2016, mas esta é a primeira vez que dá um prazo específico para remover os navios de cruzeiro do centro histórico de Veneza e oferece uma alternativa. “No prazo de três a quatro anos, todas as embarcações com mais de 55 mil toneladas irão para Marghera”, declarou o ministro.

Marghera é um bairro situado no continente que abriga um dos mais importantes portos comerciais do país. Actualmente, navios de cruzeiro, por exemplo, atracam no terminal de passageiros do Porto de Veneza, situado na parte insular da cidade. Para tal, as embarcações cruzam a Bacia de San Marco, em frente à praça homónima, e o Canal de Giudecca. A proibição aos transatlânticos nessa parte da Lagoa já é estudada há anos pelas autoridades, mas até hoje não saiu do papel.

Em causa estão navios que pesam dezenas de milhares de toneladas e transportam até 5.000 pessoas, representando um risco para o frágil ecossistema veneziano e um factor de erosão do solo marinho.

A passagem de grandes navios pelo Canal de Giudecca já motivou diversos protestos na capital do Veneto, inclusive com cidadãos vestidos de piratas cercando cruzeiros com os seus barcos.

O Comité do Património Mundial da UNESCO já ameaçou colocar Veneza na lista de lugares “em risco” caso as autoridades continuassem a permitir transatlânticos no seu centro histórico. Porém, segundo a ANSA, o poder público temia que isso afectasse o turismo, motor da economia veneziana, mas também fonte de crescente tensão na cidade.

A decisão agora tomada pelo governo fará com que os navios de cruzeiro passem a usar o canal norte de Marghera, que hoje concentra o tráfego comercial. “As duas realidades podem coexistir nessa fase transitória, até que o terminal de Marghera seja equipado”, garantiu Delrio.

 

JTM com agências internacionais