O presidente dos EUA terá pedido ao então chefe do FBI para “abandonar” uma investigação sobre Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional, segundo o “New York Times”. A Casa Branca nega, mas o Congresso já pediu ao FBI todos os registos das conversas entre James Comey e Donald Trump

 

O Comité de Inteligência da Câmara dos Representantes dos EUA solicitou ao FBI todos os documentos elaborados pelo ex-director da unidade policial do Departamento de Justiça, James Comey, sobre as conversas que manteve com o Presidente Donald Trump. Assinada pelo presidente do comité, o republicano Jason Chaffetz, a petição inclui “memorandos, notas, resumos e gravações” em poder do FBI para que sejam entreguem até 24 de Maio.

Este pedido surge depois do “New York Times” ter revelado a existência de documentos confidenciais redigidos por Comey sobre as conversas com o Presidente. Num dos documentos, terá sido registado um pedido de Trump para encerrar uma investigação em torno das ligações da Rússia com o general aposentado Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional. Flynn “é uma boa pessoa, espero que possa abandonar isto”, disse Trump a Comey, segundo o texto divulgado pelo jornal, que aponta para uma possível obstrução à Justiça.

“Se for verdade, estes memorandos apresentam dúvidas sobre se o presidente tentou influenciar ou impedir a investigação do FBI no que se refere ao general (Michael) Flynn”, disse Chaffetz, na carta dirigida ao director interino do FBI, Andrew G. McCabe.

Em reacção, a Casa Branca assegurou que “o presidente jamais pediu a Comey ou a qualquer outra pessoa que encerrasse uma investigação, inclusive sobre o general Flynn”.

O jornal nova-iorquino indica ainda que Comey adquiriu o hábito de redigir memorandos sobre as conversas com Trump devido a “tentativas impróprias do Presidente de influenciar uma investigação em curso”. As anotações de um agente do FBI são geralmente consideradas pela Justiça como provas de que determinada conversa aconteceu efectivamente.

De acordo com o “New York Times”, a conversa ocorreu no Salão Oval da Casa Branca, a 14 de Fevereiro. Na véspera, Flynn tinha sido obrigado a demitir-se por omitir repetidos contactos com o embaixador russo em Washington em 2016, durante os quais abordou as sanções americanas a Moscovo. O general também é alvo de uma investigação do Pentágono sobre valores recebidos de empresas ligadas ao governo russo.

O líder da oposição democrata no Senado, Chuck Schumer, mostrou-se chocado com as últimas revelações. “É um teste sem precedentes para o país. Digo aos meus colegas no Senado: a história está a olhar para nós”.

Na semana passada, o Presidente demitiu Comey, que comandava a investigação do FBI para esclarecer as ligações dos russos com a campanha presidencial de Trump, matéria também abordada pelo Congresso.

 

JTM com agências internacionais