O presidente filipino Rodrigo Duterte chamou de “herói” o falecido ditador Ferdinand Marcos, em mais um capítulo da tentativa de reabilitar um período marcado por graves violações dos direitos humanos e acusações de corrupção

 

Rodrigo Duterte, que apresenta o ex-presidente como o “melhor” da história do país, surpreendeu os filipinos ao autorizar no ano passado a trasladação do seu corpo para o cemitério dos heróis da nação em Manila.

No fim de semana afirmou que o 11 de setembro seria um “dia festivo especial” na província de Ilocos Norte, reduto da família Marcos. “Era um presidente. Para os habitantes de Ilocos, era o melhor presidente. Porque deve existir um debate sobre este assunto?”, questionou Duterte no sábado.

“No que diz respeito aos habitantes de Ilocos, Marcos é um herói e todas as críticas contra ele não são mais do que estúpidas”, completou Duterte, conhecido por não ter papas na língua.

Duterte, que também é acusado de abusos contra os direitos humanos, é amigo da família Marcos e teve um papel fundamental nos esforços do clã para retornar à vida política.

Os opositores do regime de Ferdinand Marcos denunciam uma tentativa de ignorar os seus crimes.

Eleito presidente em 1965, e reeleito em 1969, Marcos decretou a lei marcial em 1972 e governou o arquipélago com mão de ferro até a revolução de 1986, que o obrigou a fugir com a família para os Estados Unidos acusado de violação em larga escala dos direitos humanos e pelo desvio de 10 mil milhões de dólares de dinheiros públicos.

A família Marcos foi autorizada a retornar às Filipinas após a morte do patriarca, cujo corpo embalsamado estava num mausoléu da residência familiar em Ilocos Norte antes da sua mudança para o Cemitério dos Heróis.

O clã Marcos retornou ao cenário da política nacional nos últimos anos. Nenhum de seus integrantes foi preso.

 

JTM com agências internacionais