Líderes de todo o mundo não hesitaram em criticar Donald Trump pelo seu plano para transferir a embaixada em Israel para Jerusalém. A Liga Árabe advertiu que o Presidente americano pode “destruir por completo o processo de paz”

 

A Liga Árabe convocou uma reunião de emergência dos ministros dos Negócios Estrangeiros da região para discutir a intenção dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. A convocação da reunião foi solicitada pela Jordânia, após um pedido da Palestina, e depois do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter informado vários líderes árabes sobre o plano para mudar a sua embaixada de Telavive para Jerusalém.

Trump telefonou na terça-feira ao rei Abdullah II da Jordânia, ao Presidente egípcio, Abdelfatah al Sisi, e ao presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, para lhes comunicar a decisão, que deverá ter sido anunciada esta madrugada (pelo horário de Macau).

A Liga Árabe manifestou nos últimos duas a sua preocupação com a intenção dos Estados Unidos, considerando que pode “destruir por completo o processo de paz” e representar uma ameaça para a segurança e a estabilidade na Palestina e na região.

A decisão de Trump já mereceu uma série de críticas internacionais e vários países, como França, Reino Unido, China ou Portugal, manifestaram receios pelas consequências, nomeadamente uma escalada da violência.

“Estamos preocupados com uma possível escalada de tensões”, afirmou ontem Geng Shuang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “Todas as partes envolvidas devem ter em mente a paz e estabilidade regionais, ter cautela nas acções e declarações, evitar minar a base para uma resolução da questão palestiniana e abster-se de gerar um novo confronto na região”, afirmou Geng, em conferência de imprensa.

A mudança na política externa norte-americana foi uma promessa de campanha de Trump e contraria uma década de cautela de Washington nesta questão.

A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação da parte oriental conquistada em 1967. Israel considera a Cidade Santa a sua capital “eterna e reunificada”, mas os palestinianos defendem pelo contrário que Jerusalém-leste deve ser a capital do Estado palestiniano ao qual aspiram, num dos principais diferendos que opõem as duas partes em conflito.

Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos. Uma lei norte-americana de 1995 solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os Presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação, a cada seis meses, com base em “interesses nacionais”.

 

JTM com Lusa