Com a promessa de respeitar a política de “uma só China” e proibir novas visitas do Dalai Lama, o novo Governo mongol conseguiu convencer Pequim a normalizar as relações diplomáticas. Os dois países vizinhos já ponderam avançar para um acordo de livre-comércio

 

Os Governos da China e Mongólia normalizaram as relações diplomáticas com a visita a Pequim do ministro dos Negócios Estrangeiros mongol, Damdin Tsogtbaatar, que reiterou o reconhecimento da política de “uma só China” por parte de Ulan-Bator, após a polémica visita do Dalai Lama há um ano. Tsogtbaatar asseverou que a Mongólia compromete-se a considerar “Tibete e Taiwan como partes inalienáveis do território chinês (…) e deseja elevar até um novo ponto máximo os acordos estratégicos entre os dois países”.

Wang Yi, chefe da diplomacia chinesa, mostrou-se satisfeito pelo facto da Mongólia aderir “firmemente à política de uma só China e respeitar os seus principais interesses e preocupações em temas relacionados com Tibete, Xinjiang e Taiwan”, segundo declarações difundidas pela agência Xinhua.

As relações diplomáticas entre os dois países atravessaram uma fase muito conturbada desde Novembro do ano passado, quando o Dalai Lama visitou a Mongólia, onde o budismo tibetano é a religião dominante. Como se esperava, a visita originou pressões e protestos de Pequim que só foram atenuados com a promessa da Mongólia de não voltar a permitir a entrada do líder religioso.

Sublinhando que Mongólia e China são “vizinhos amigos”, Wang Yi destacou que o novo governo mongol enviou uma mensagem a Pequim apelando para que ambos países mantenham a confiança mútua, tratem de forma adequada os temas sensíveis e expressando um “forte desejo de estreitar a cooperação”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês salientou que o seu país dá as boas-vindas a esta atitude da Mongólia e acredita que os laços bilaterais continuarão a avançar na direcção adequada para o benefício das duas partes.

Por outro lado, assegurou que “a China, como sempre, respeitará a independência, soberania e integridade territorial da Mongólia”, bem como as decisões do povo vizinho sobre a sua “via de desenvolvimento”.

Durante a reunião em Pequim, os dois governantes decidiram fomentar os intercâmbios comerciais, coordenar a participação da Mongólia na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, construir uma área de cooperação económica na fronteira e começar a estudar a viabilidade de um acordo de livre-comércio. Além disso, concordaram em promover conjuntamente a construção de um corredor económico entre China, Mongólia e Rússia.

 

JTM com agências internacionais