O Papa vai canonizar os pastorinhos Jacinta e Francisco, a 13 de Maio, em Fátima, uma notícia recebida com “muita alegria” pelo patriarca de Lisboa e na Cova da Iria

 

O Sumo Pontífice comunicou ontem ao consistório, reunião formal de cardeais, no Palácio Apostólico do Vaticano, que irá aproveitar a sua visita a Fátima para canonizar as duas crianças que foram protagonistas dos acontecimentos de 1917 e que, com a prima Lúcia, disseram ter visto a Virgem Maria.

Em Fátima, os sinos tocaram a repique e o reitor, padre Carlos Cabecinhas, comunicou a notícia no santuário, rezando uma oração de acção de graças na Capelinha das Aparições.

O Presidente da República dirigiu “uma saudação e uma felicitação àqueles portugueses que são católicos e que acreditam em Fátima, pela notícia da canonização”. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que, para esses “muitos portugueses”, a canonização de Francisco e Jacinta dará “um significado acrescido” à visita do Papa a Fátima, e referiu que constitui “o culminar de um processo que foi longo” dentro da Igreja Católica, tendo em conta que se prolongou por 67 anos.

O cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, também recebeu “com muita alegria” a notícia e, em declarações à Rádio Renascença, afirmou que compromete os portugueses com o exemplo dos pastorinhos.

Oriundos de uma “humilde família” de Aljustrel (na paróquia de Fátima, concelho de Ourém), no seio da qual “aprenderam a doutrina cristã”, as duas crianças começaram a pastorear o rebanho dos pais em 1916, actividade no âmbito da qual vieram a assistir às “aparições” de um anjo, nesse ano, e da Virgem Maria, no ano seguinte. Francisco e Jacinta morreram ainda crianças, vítimas da febre pneumónica (ou gripe espanhola), e as canonizações de crianças são raras na Igreja Católica. Esta canonização fará de Jacinta Marto a mais nova santa não-mártir da Igreja, com apenas nove anos.

Com os dois irmãos Marto, a lista de santos portugueses, entre eles Santo António, Santo Condestável e São João de Deus, cresce para 12, havendo ainda 30 casos em análise pela Congregação para as Causas dos Santos.

 

JTM com Lusa