O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, admitiu ontem que o país estaria a “crescer mais” e a “reduzir mais a dívida” se o PSD estivesse a governar.

 

“Hoje, que há condições de recuperação económica, de emprego, de conjuntura externa favorável, o que nós esperamos é que se faça pelas oportunidades maiores no futuro, não é que se fique a viver da herança, das reformas que foram feitas, e da conjuntura que corre. O que nós queremos é criar condições para podermos estar a crescer mais e podíamos estar a crescer mais do que estamos a crescer hoje e, se nós estivéssemos a governar, estaríamos a crescer mais”, afirmou.

Passos Coelho falava no jantar autárquico do PSD de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, de apoio à candidatura de Carlos Ascensão à Câmara Municipal local.

“E estaríamos a reduzir mais a dívida, não há dúvida. E estaríamos a atrair melhores condições para o investimento”, sublinhou o líder do PSD no seu discurso que durou cerca de 15 minutos.

Antes de proferir estas declarações, afirmou: “Não podemos deixar correr o marfim, como se costuma dizer. Não podemos empurrar com a barriga. Não podemos andar com uma conversa que possa induzir as pessoas em erro, como hoje em dia se passa no país”.

“Toda a gente ouve. Volta em meia volta, lá aparece um responsável a dizer: ‘virámos a página da austeridade’. Todos os anos viram a página da austeridade, é sempre a mesma página. Eu acho que eles não mudaram de página. Não mudaram nada. Nesse particular, não mudaram nada de significativo”, observou.

Passos Coelho prosseguiu: “depois querem que as pessoas acreditem que governar hoje é a mesma coisa que governar como em 2011 quando não havia dinheiro e estávamos à beira da bancarrota, e fazem uma enorme conversa para que as pessoas acreditem que no passado as coisas só foram difíceis porque quem governou quis”, criticou.

Para o ex-primeiro-ministro, “entra pelos olhos de qualquer pessoa que esta é uma conversa que nem é leal nem é séria”.

“Toda a gente sabe. Viver em tempos de recuperação económica e financeira – e nós fizemos muito por isso -, não é a mesma coisa que governar em tempos de dificuldades e em que não há dinheiro. As soluções que podemos encontrar são muito diferentes. Hoje o que nós exigimos não é o mesmo que se exigia em 2011”, esclareceu.

No início da sessão, que decorreu numa unidade hoteleira de Celorico da Beira, a apresentadora de serviço enganou-se por duas vezes e referiu-se a Pedro Passos Coelho como sendo o presidente do “partido socialista democrata”. A gafe foi prontamente corrigida pelo líder distrital do PSD, ao afirmar que Passos Coelho não era líder do Partido Socialista mas sim do Partido Social Democrata.

 

JTM/Lusa