No edifício “Bibliothèque”, as rendas mensais oscilam entre 3.500 e 5.500 dólares de Hong Kong
No edifício “Bibliothèque”, as rendas mensais oscilam entre 3.500 e 5.500 dólares de Hong Kong

Jovens profissionais do sector financeiro em Hong Kong procuram cada vez mais alojamentos do estilo das repúblicas universitárias numa altura em que as fracções partilhadas estão a crescer no mercado imobiliário mais caro do mundo

 

Um funcionário de um banco de investimento e um estagiário de banco estão entre os inquilinos de quartos do empreendimento de luxo “Mini Ocean Park Station”, no sul da ilha de Hong Kong, contou à agência Bloomberg a gerente de “marketing” Cynthia Cheung. Noutra zona da cidade, a gerente de marketing Nicole Ho, 33, poderá ter nove colegas de quarto na sua nova residência quando for inaugurado outro projecto, num bloco de apartamentos reconvertido.

Estas opções não são estranhas ao facto de Hong Kong ser considerado o mais caro mercado imobiliário do mundo. Segundo estudos recentes, o preço médio das casas na antiga colónia britânica correspondeu no ano passado a 18,1 vezes o rendimento anual médio, antes dos impostos. Os preços exorbitantes em Hong Kong estão a impulsionar a tendência das casas partilhadas que também tem aumentado em todo o mundo, nomeadamente entre jovens de cidades como Nova Iorque, Londres e Xangai que enfrentam custos residenciais elevados.

Em Hong Kong, há pelo menos seis empreendimentos de casas partilhadas prontos ou em construção após 2015.

“Existem poucas opções habitacionais acessíveis para a geração mais nova”, sublinha Keith Wong, co-fundador da “Synergy Biz Group”, empresa que desenvolve projectos de trabalho e moradia partilhados. Segundo Wong, esse estilo de vida pode ser adequado para os estudantes após a licenciatura e para pessoas sedentas por uma sensação de comunidade.

“Mini Ocean Park Station” possui uma área comum com sofás, máquinas de venda automática e de lavar roupa

Não obstante a consolidação desta tendência, Hong Kong ainda está atrasada em relação a cidades como Londres e Amsterdão, onde há empreendimentos de casas partilhadas para todas as idades ou, em alguns casos, projectos específicos para profissionais, e não apenas para os jovens, acrescentou.

Situado num complexo no distrito de Shouson Hill, o projecto “Mini Ocean Park Station”, desenvolvido pela “Eco Properties”, do magnata filipino Lucio Tan, envolveu a conversão de 18 antigos apartamentos de luxo em 270 unidades. Um quarto privado com uma área entre 7,4 e 9,2 metros quadrados – menor do que uma vaga de estacionamento regular – pode custar 8.500 dólares de Hong Kong por mês. O piso térreo possui uma área comum com máquinas de venda automática, máquinas de lavar roupa e sofás.

De acordo com Cynthia Cheung, estudantes universitários representam a maioria dos primeiros inscritos.

Já Nicole Ho vai morar num edifício com cerca de 50 anos em Yau Ma Tei, em Kowloon, transformado pela “Synergy Biz”, onde um único quarto com cerca de 37 metros quadrados pode acomodar até 10 pessoas. Nesse prédio, o “Bibliothèque”, existem áreas comuns para cozinhar e conviver e as casas-de-banho também são partilhadas. As rendas mensais oscilam entre 3.500 e 5.500 dólares de Hong Kong.

No total, cerca de 400 pessoas candidataram-se a 120 camas no empreendimento, que será inaugurado no quarto trimestre, segundo Keith Wong.

Nicole Ho quer conhecer pessoas novas e não se assusta por dividir um quarto. A jovem garante que seguiu essa opção quando estudou no Japão e que actualmente faz o mesmo com a irmã na casa da família. “Tendo um pequeno espaço privado para mim, está bom”.

 

JTM com agências internacionais