O Parlamento birmanês “chumbou” ontem mudanças na Constituição que visavam reduzir o controlo dos militares sobre o órgão legislativo e permitir que a líder da oposição possa ser candidata à Presidência do país

 

Após três dias de debates, os deputados votaram cinco propostas de revisão à Carta Magna de 2008, redigida pela última Junta Militar, que reserva amplos poderes ao Exército, nomeadamente uma quarta parte das cadeiras nas Câmaras alta e baixa, e nas assembleias regionais, segundo a rede de televisão “Channel NewsAsia”. Nenhuma das emendas conquistou o apoio de 75% dos deputados, o mínimo necessário para aprovação, incluindo uma que propunha reduzir esse limite para 70%, o que teria retirado o poder de veto aos militares.

Da mesma forma, também não vingou a mudança do artigo que impede Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Nobel da Paz que passou mais de 15 anos em prisão domiciliar durante a ditadura militar, de chegar à chefia do Estado por ter sido casada com um estrangeiro e ter filhos com nacionalidade estrangeira.

Se as propostas fossem aprovadas, as mudanças na Constituição deveriam ser ratificadas num referendo.

A tentativa de reforma constitucional ocorreu antes das próximas eleições gerais, previstas para Novembro, as primeiras que não serão organizadas por um governo militar em mais de meio século.

Suu Kyi poderia tentar a reeleição como deputada da formação opositora Liga Nacional para a Democracia, que parte como favorita perante o governante Partido para a União, a Solidariedade e o Desenvolvimento, herdeiro da última Junta Militar.