No dia em que se soube que, afinal, a frota americana ainda está longe da Coreia do Norte, o Vice-Presidente dos EUA prometeu uma “resposta esmagadora” às ameaças de Pyongyang. Já o regime de Kim Jong-un diz que vai acelerar o ritmo dos testes balísticos

 

Perante um auditório repleto de soldados americanos do porta-aviões “USS Ronald Reagan”, estacionado no Japão, Mike Pence dirigiu novos e severos avisos à Coreia do Norte. “Derrotaremos qualquer ataque e reagiremos ao uso de qualquer arma convencional ou nuclear com uma resposta esmagadora”, sublinhando, citando novamente a “determinação do Presidente Trump e das forças armadas dos Estados Unidos”.

Há “nuvens no horizonte”, disse o Vice-Presidente americano, classificando o regime comunista da Coreia do Norte como a “ameaça mais perigosa e urgente para a paz e a segurança na Ásia Pacífico”.

A Administração americana “buscará sempre a paz, mas também manterá sempre o escudo em guarda e a espada preparada”, alertou Pence, acrescentando que Washington vai “reforçar a presença na Ásia-Pacífico” e “o Japão desempenhará também um papel mais amplo na região”. Segundo especificou, os EUA vão empregar “toda a capacidade militar na protecção do Japão, incluindo às ilhas Senkaku”, cuja soberania Tóquio disputa com Pequim, que as designa como Diaoyu.

Antes de rumar ao Japão, Pence visitou a Coreia do Sul e, em particular, a sua fronteira com o Norte, numa fase de grande tensão face à probabilidade de Pyongyang estar a preparar o seu sexto teste nuclear.

Apesar dos avisos americanos, Pyongyang mantém o tom de desafio, sendo que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano assegurou à BBC que o ritmo de testes balísticos irá acelerar. “Vamos realizar mais testes de mísseis semanalmente, mensalmente e anualmente”, disse Han Song-Ryon.

A Coreia do Norte projectou mesmo no domingo a recriação de um ataque com mísseis a uma cidade dos EUA, durante uma cerimónia em Pyongyang, segundo anunciou ontem a televisão estatal norte-coreana. As imagens foram exibidas num auditório da capital, no âmbito das comemorações do 105º aniversário do fundador do país, Kim Il-sung, disse a KCTV.

A montagem mostra um míssil balístico disparado pela Coreia do Norte que alegadamente cruza o Oceano Pacífico e atinge uma cidade não identificada nos EUA. Após a explosão, surge uma bandeira norte-americana em chamas com uma imagem do que se entende ser um cemitério.

 

Frota está longe da Coreia do Norte

O porta-aviões “Ronald Reagan”, que se encontra na base naval americana de Yokosuka, faz parte da sétima frota dos EUA e está pronto para uma mobilização programada no Pacífico ocidental. À mesma frota pertence ainda o porta-aviões “USS Carl Vinson”, que afinal ainda não iniciou a sua viagem para a península coreana juntamente com outros navios, ao contrário do que tinham indicado oficiais americanos, incluindo o chefe do Pentágono, Jim Mattis.

Um oficial da Defesa afirmou à agência AFP que os navios estão actualmente ao largo da costa da Austrália. Uma foto da Marinha mostrava o “Vinson” em frente à ilha indonésia de Java no fim-de-semana. “Eles vão zarpar para o norte através do Mar do Japão nas próximas 24 horas”, declarou o oficial, que não quis se identificar.

Segundo a mesma fonte, a frota não chegará à região antes da próxima semana, uma vez que terá de percorrer milhares de milhas náuticas entre o mar de Java e o do Japão.

 

Trump elogia esforços da China

O Presidente dos EUA enalteceu os esforços da China para pressionar a Coreia do Norte, explicando que por essa razão não iniciará uma guerra comercial com Pequim. “Poderia começar agora uma guerra comercial com a China que tenta trabalhar num problema francamente maior com a Coreia do Norte?”, disse Donald Trump, numa entrevista à Fox News, garantindo que está a tratar a China e o seu Presidente, Xi Jinping, com “grande respeito”.

 

JTM com agências internacionais