Convidados da Web Summit jantaram no Panteão Nacional
Convidados da Web Summit jantaram no Panteão Nacional

Um jantar com convidados da Web Summit no Panteão Nacional causou indignação nas redes sociais portuguesas e levou o Governo a prometer rever a lei para proibir eventos que afectem “o carácter e a dignidade” dos monumentos

 

O Governo português classificou a utilização do Panteão Nacional para eventos festivos como “indigna”, na sequência de informações sobre a realização de um jantar exclusivo de convidados da Web Summit naquele local. “A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”, referiu um comunicado do gabinete do Primeiro-Ministro, anunciando que vai alterar a lei para evitar situações do género no futuro.

“Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional”, reforça a nota do gabinete de António Costa.

Nesse sentido, o Executivo vai proceder à alteração do referido despacho “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais”.

O Presidente da República já classificou como “muito sensata” a decisão do Governo de alterar a lei que permite eventos festivos no Panteão Nacional. “Soube agora mesmo do facto de ter havido, no quadro de uma utilização de um espaço que é monumento nacional o seu uso para um jantar, que é diferente de um lançamento de um livro, é diferente de uma actividade cultural, é diferente de um concerto, de outra realidade dessa natureza”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

“De facto, a imagem que eu tenho do Panteão Nacional não é de ser um local adequado para um jantar, nem que seja o jantar mais importante de Estado”, prosseguiu. “Portanto, se o Governo tomou uma decisão no sentido de isso deixar de ser possível, acho que foi uma decisão muito sensata, muito óbvia, corresponde àquilo que qualquer pessoa com algum bom senso faria nesse caso concreto”, concluiu.

Também em comunicado, o Ministério da Cultura reforçou que “não permitirá que a utilização para eventos públicos dos monumentos nacionais possa pôr em causa o carácter e a dignidade próprias de cada um desses monumentos”.

 

JTM com Lusa