O Kremlin acusou os EUA de “amadorismo” pelas acusações de ataques cibernéticos e elevou o tom irónico, visando directamente Barack Obama

 

O Governo russo ironizou as acusações dos EUA e aproveitou para lançar farpas ao Presidente americano. “Acho que se os hackers russos realmente violaram algo nos Estados Unidos, foram duas coisas: o cérebro de Obama e, obviamente, o próprio relatório sobre os hackers russos”, escreveu no Facebook a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova.

Antes, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tinha voltado a negar as acusações de Washington de que hackers russos teriam atacado sistemas do Governo americano e interferido nas eleições presidenciais de Novembro, para favorecerem a candidatura de Donald Trump.

“São acusações absolutamente infundadas, de um nível amador. Começamos a estar cansados”, declarou Dmitri Peskov, falando mesmo de “uma verdadeira caça às bruxas”, curiosamente um termo já utilizado pelo presidente eleito americano, que denunciou a existência de uma “caça às bruxas política” destinada a enfraquecê-lo.

Os serviços de inteligência dos Estados Unidos publicaram na sexta-feira um relatório que aponta para uma campanha cibernética russa para prejudicar o processo democrático nos EUA e aumentar as possibilidades de vitória de Trump através de ataques à rival, Hillary Clinton.

“Continuamos a negar categoricamente qualquer envolvimento de Moscovo”, disse Peskov, vincando que o relatório não trazia “nenhuma substância” às alegações de Washington.

“Ainda não sabemos quais os dados utilizados por aqueles que lançam essas acusações infundadas”, disse.

Donald Trump assegurou que não há “evidências” que os ciberataques tiveram influência no resultado eleitoral, mas reconheceu pela primeira vez que países como a Rússia e a China têm tentado “constantemente” violar a segurança dos sistemas cibernéticos dos EUA. Além disso, o chefe de gabinete do futuro governo americano, Reince Priebus, afirmou que Trump não negou em nenhum momento que organizações russas estivessem por trás dos ataques e não descartou tomar medidas contra Moscovo, após assumir a presidência.

 

JTM com agências internacionais