A picture of Liu Xiaobo seen inside the Nobel Peace Center on the day of The Nobel Peace Prize ceremony in Oslo on December 10, 2010. The head of the Nobel committee placed this year's peace prize on an empty chair as Beijing raged against the award to dissident Liu Xiaobo, who is languishing in a Chinese prison cell. AFP PHOTO / DANIEL SANNUM LAUTEN (Photo credit should read DANIEL SANNUM-LAUTEN/AFP/Getty Images)
A picture of Liu Xiaobo seen inside the Nobel Peace Center on the day of The Nobel Peace Prize ceremony in Oslo on December 10, 2010. The head of the Nobel committee placed this year's peace prize on an empty chair as Beijing raged against the award to dissident Liu Xiaobo, who is languishing in a Chinese prison cell. AFP PHOTO / DANIEL SANNUM LAUTEN (Photo credit should read DANIEL SANNUM-LAUTEN/AFP/Getty Images)

Liu Xiaobo faleceu ontem, segundo anunciaram as autoridades de Liaoning, onde o Nobel da Paz de 2010 estava hospitalizado com cancro do fígado. O dissidente chinês foi o primeiro Prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o alemão Carl von Ossietzky, que morreu em 1938 num hospital quando estava detido pelos nazis

 

O dissidente chinês Liu Xiaobo, que estava hospitalizado com cancro do fígado, não resistiu à doença e faleceu ontem, aos 61 anos, anunciaram as autoridades da província de Liaoning, onde o Nobel da Paz de 2010 estava hospitalizado.

Os últimos exames realizados em Shenyang mostravam que o tumor tinha aumentado de tamanho. Liu sofria ainda de insuficiência renal, de acordo com o hospital que, a 8 de Junho, declarou que o doente não podia ser transferido para o estrangeiro, contrariando a vontade de Liu Xiaobo de ser tratado fora da China.

Os médicos norte-americano e alemão que observaram o dissidente chinês tinham pedido que fosse transferido “o mais depressa possível”. Várias organizações de defesa dos direitos humanos e próximas de Liu criticaram Pequim por ter esperado por uma deterioração do estado de saúde para colocar o dissidente em liberdade condicional, mas as autoridades afirmaram que ele estava a ser tratado por médicos especialistas reputados.

Longe de ser um gesto humanitário, a libertação de Liu foi decidida para evitar uma imagem desastrosa para Pequim: a morte de um dissidente famoso atrás das grades, de acordo com a associações de defesa dos direitos humanos. Foi o primeiro Prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, que morreu em 1938 num hospital quando estava detido pelos nazis.

Liu Xiaobo, recorde-se, foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por subversão, depois de ter exigido reformas democráticas na China e esteve dedito mais de oito anos por “subversão”. Foi um dos autores de um manifesto, a “Carta 08”, que defendia o respeito pelos direitos humanos e a realização de eleições livres.

Em 2010 foi distinguido com o Nobel da Paz e na cerimónia de entrega do prémio, em Oslo, uma cadeira vazia representou Liu, já sob detenção. A 26 de Junho último, o dissidente foi colocado em liberdade condicional e hospitalizado, devido a um cancro no fígado em fase terminal, diagnosticado em Maio.

A China era há muito criticada pelo tratamento dado aos militantes e opositores políticos, mas desde a chegada ao poder do Presidente Xi Jinping, no final de 2012, que a pressão sobre a sociedade civil aumentou.

A mulher de Liu Xiaobo continua, desde 2010, sob detenção domiciliária. De acordo com Patrick Poon, da organização Amnistia Internacional, Liu Xia nunca foi acusada formalmente de qualquer crime.

 

JTM/Lusa