O Presidente francês abordou a questão dos direitos humanos com os líderes chineses, mas sem a pretensão de dar “lições” a Pequim. Macron garante que esse também é “um tema importante” para Xi Jinping

 

Emmanuel Macron rejeita dar “lições” sobre direitos humanos à China, alegando que essa postura seria “totalmente ineficaz”. “Há diferenças entre nós que estão relacionadas com a nossa história, com nossas filosofias profundas, com a natureza das nossas sociedades”, defendeu o Presidente francês, numa declaração conjunta com o Presidente chinês, Xi Jinping.

“Posso aproveitar para dar lições à China falando com a imprensa francesa. Isso já aconteceu muitas vezes, mas não dá qualquer resultado”, disse aos jornalistas durante a visita a uma galeria de arte em Pequim. “É totalmente ineficaz. Acredito na diplomacia do respeito recíproco. Devemos trabalhar a longo prazo”, insistiu.

A organização não-governamental “Human Rights Watch” (HRW) tinha instado Macron a pedir “publicamente” a Xi Jinping que a China fizesse progressos nesse âmbito. A HRW citou em particular o caso de Liu Xia, viúva do falecido prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo que se encontra em prisão domiciliar sem ter sido condenada oficialmente.

Apesar de recusar falar do tema em público, Macron confirmou ter mencionado a questão dos direitos humanos durante a sua visita a Pequim. “Abordei essas preocupações com o Presidente Xi Jinping. Sabe que existe – na Europa, em particular – respeito pelas liberdades e direitos universais. E sei que, para ele, é um tema importante”, sublinhou, com o líder chinês a seu lado.

“Há conversas, não diante dos jornalistas, não de forma aberta, mas cara a cara, que podem ser úteis e dar resultados. Essas são as que eu prefiro”, declarou o Chefe de Estado francês, que terminou ontem a visita de três dias à China.

 

Companhias chinesas encomendam 184 Airbus

Treze companhias aéreas chinesas encomendaram 184 aviões do modelo A320neo à construtora europeia Airbus, para serem entregues em 2019 e 2020, anunciou ontem a presidência francesa, no último dia da visita de Emmanuel Macron à China. O valor da compra não foi detalhado, mas tendo em conta o actual preço dos aviões, poderá ascender a cerca de 18 mil milhões de dólares. “O negócio será fechado em breve e já foi confirmado pelo Presidente chinês, Xi Jinping”, disse Macron. “O presidente Xi confirmou-me que a China manterá o seu volume de pedidos nos próximos anos e a paridade da participação no mercado chinês entre a Airbus e a Boeing”, acrescentou.

 

JTM com agências internacionais