Kim Yo-jong tem sido responsável pela imagem pública do irmão
Kim Yo-jong tem sido responsável pela imagem pública do irmão

Kim Jong-un reforçou ainda mais o poder da família, ao nomear a irmã mais nova para a direcção política do partido único. A “misteriosa” Kim Yo-jong é vista como uma confidente do líder norte-coreano e responsável por cuidar da sua imagem pública

 

Ao discursar perante o Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, no sábado, Kim Jong-un voltou a dirigir as habituais ameaças aos EUA, anunciou mudanças na estrutura de comando do país, mas também voltou a deixar claro que quem manda na Coreia do Norte é a sua família.

Kim Yo-Jong, irmã mais nova do líder, tornou-se membro da direcção política do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, instância presidida pelo próprio Kim Jong-un, de acordo com a agência oficial de notícias norte-coreana KCNA. Aos 30 anos de idade, Kim Yo-jong, vai substituir a tia, Kim Kyong Hee, que foi uma figura influente no governo de Kim Jong-il (1941-2011), pai de Jong-un.

“Isso mostra que o portfólio e status de Yo-jong é muito mais substancial do que se acreditava anteriormente e é uma consolidação adicional do poder da família Kim”, disse Michael Madden, especialista sobre a Coreia do Norte na Universidade John Hopkins, em declarações à “Deutsche Welle” (DW), a emissora internacional da Alemanha.

Para o correspondente da BBC, Danny Savage, a promoção de Yo-jong também representa uma nova prova da força da família Kim na Coreia do Norte.

Desde 2014, Yo-jong tem sido responsável pela imagem pública do irmão e ocupou o influente cargo de vice-directora do Departamento de Propaganda e Agitação. Já apareceu diversas vezes ao lado do irmão em eventos políticos e “visitas de orientação de campo”, durante as quais o líder profere conselhos técnicos em todos os domínios, desde o agrícola ao militar.

Recentemente, Yo-jong foi incluída numa lista de figuras do regime alvo de sanções internacionais por suspeita de ter cometido “graves abusos contra os direitos humanos”.

Numa entrevista concedida à DW em 2014, Michael Madden apontou Kim Yo-jong como uma das “confidentes mais próximas” do ditador norte-coreano, mas dada a natureza patriarcal da cultura política da Coreia do Norte, ela não nunca foi considerada como “potencial sucessora”.

Em 2014, quando Kim-Jong-un desapareceu dos holofotes durante semanas, supostamente devido a problemas de saúde, a imprensa ocidental especulou que Yo-jong poderia assumir o governo. Durante esse período, acredita-se que terá assumido algumas das funções do ditador.

“Sendo uma das assessoras próximas do irmão, ela empreendeu tarefas administrativas adicionais, recebendo relatórios, informando Jong-un, encaminhando as suas instruções e convocando altos funcionários”, salientou Madden.

Segundo o académico, Kim Yo-jong é a mais jovem dos sete filhos de Kim Jong Il. A mãe, Ko Yong-hui, integrava um grupo de músicos norte-coreanos e foi vista pela primeira vez em público ao lado da secretária pessoal e suposta amante do ex-líder norte-coreano, durante a terceira conferência do Partido dos Trabalhadores em Setembro de 2010.

“Kim Yo-kong recebeu educação privada em casa e, juntamente com Kim Jong-un, frequentou duas escolas perto de Berna, na Suíça, durante a década de 1990 e início dos anos 2000. Mais tarde frequentou a universidade na Coreia do Norte e fez cursos na Europa Ocidental pouco depois”, explicou Michael Madden.

Yo-kong não foi a única que assumiu uma posição no Politburo. No sábado, Kim Jong-un também nomeou para o Politburo Ri Yong Ho, Ministro dos Negócios Estrangeiros, que classificou Donald Trump como “doente mental” num discurso na Assembleia Geral da ONU no mês passado.

 

JTM com agências internacionais