O Presidente das Filipinas foi acusado de ter avultadas quantias em contas não declaradas. Noutra frente, empresas mineiras entraram em “guerra” com o Governo

 

O senador Antonio Trillanes acusou ontem o Presidente filipino de possuir 2.400 milhões de pesos (384 milhões de patacas) em contas não declaradas, exigindo-lhe que torne público o seu historial bancário. “Mostre-me o valente que é e prove que estou equivocado”, afirmou o deputado, um dos políticos mais críticos da administração de Rodrigo Duterte, durante uma conferência de imprensa, em Manila, na qual apresentou documentos que diz sustentarem a sua acusação.

Os documentos sobre os fundos bancários, que o gabinete do senador facultou à agência EFE, contêm registos de supostas contas bancárias de 2006 a 2015, período em que Duterte era autarca de Davao, e das quais os seus três filhos adultos e a actual mulher, Honeylet Avanceña, também são titulares.

Na sua campanha como candidato à vice-presidência nas eleições de Maio de 2016, Trillanes denunciou que Duterte tinha acumulado, sem declarar, grandes quantidades de dinheiro de procedência duvidosa. O então autarca de Davao rejeitou as acusações e defendeu a sua inocência.

Duterte “afirmou que me ia demonstrar que estou equivocado, mas passaram nove meses e não vi nada, pelo que, senhor Presidente, é já chegada a hora. Não vou deixar o assunto passar em branco”, frisou Trillanes.

O porta-voz do Presidente tentou minimizar a acusação, considerando que procura “desenterrar assuntos que já foram resolvidas”. “Se [Trillanes] realmente pensa isso, talvez deva contactar as autoridades competentes para o demonstrar”, acrescentou.

 

“Guerra” mineira

Empresas mineiras das Filipinas acusaram entretanto o governo de querer “acabar com a indústria”, após a proposta de cancelamento de 75 dos 311 contratos de extracções e encerramento de 23 das 41 minas em todo o país por danos para o ambiente. A ministra do Ambiente, Gina López, alegou que as minas poluem os aquíferos e prejudicam as comunidades locais.

A decisão abriu uma “guerra” entre o governo e os empresários da indústria mineira, os quais garantem que as iniciativas de López colocam em risco projectos avaliados em 22.000 milhões de dólares.

 

JTM com Lusa