O Partido Democrático de Hong Kong acusou o governo de “declarar guerra” aos pró democratas e à população, após a desqualificação de mais quatro deputados pela forma como prestaram juramento no parlamento da região, segundo a imprensa local

 

Os quatro pró democratas desqualificados foram Leung Kwok-hung (conhecido como “Long Hair” e co-fundador da Liga dos Sociais Democratas ou LSD), Nathan Law (Demosisto), Lau Siu-lai (Democratic Groundwork) e Edward Yiu (independente), todos eleitos pela via directa, de acordo com a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). A decisão do tribunal foi tomada depois do anterior governo ter pedido a respectiva desqualificação.

A desqualificação destes quatro deputados segue-se à de outros dois do grupo Youngspiration – Sixtus Baggio Leung e Yau Wai-ching -, no final do ano passado, ambos também eleitos também pela população, e os primeiros a perder o assento no Conselho Legislativo (LegCo), depois de uma interpretação por Pequim da Lei Básica. No total, desde a tomada de posse em Outubro, o campo dos pró democratas perdeu seis assentos e a capacidade de bloquear alterações legislativas apresentadas pela ala pró governo.

Citado pela RTHK, o presidente do Partido Democrático, Wu Chi-wai, disse que os direitos dos deputados de expressarem as suas visões no Conselho Legislativo podem ser restritos, uma vez que o ‘filibuster’ (bloqueio parlamentar) está agora mais restringido depois de os deputados pró democratas terem perdido o seu direito de veto. Wu Chi-wai advertiu que o princípio “Um país, dois sistemas” poderá ser adversamente afectado, afirmando que os governos de Pequim e de Hong Kong podem fazer o que quiserem agora.

O partido Demosisto também reagiu à decisão do tribunal, afirmando que milhares de eleitores viram as suas escolhas “roubadas”.

Em comunicado, o partido que viu desqualificado o mais jovem deputado alguma vez eleito em Hong Kong – Nathan Law – disse que a perda de assento no LegCo por seis deputados até à data privou mais de 180 mil eleitores da sua voz.

O Demosisto condenou o que classificou de “manifesta interferência do Governo de Pequim para prejudicar o poder da legislatura de Hong Kong através da reinterpretação da Lei Básica”. Além disso, o Demosisto disse que agora estava mais do que o determinado para lutar pela democracia e sufrágio universal e que iria apoiar a decisão de recorrer contra a decisão do tribunal.

Por sua vez, Nathan Law, um dos membros do Demosisto e líder estudantil dos protestos pró democracia em 2014, agradeceu aos eleitores que votaram nele.

O também pró democrata James To disse que os quatro desqualificados “continuam a ser os que foram escolhidos pela população”.

Outro deputado da ala pró democrata, Raymond Chan, eleito pelo partido People Power, disse que os residentes de Hong Kong, incluindo aqueles que não votaram nestes quatro deputados desqualificados, não vão concordar com o uso pelo governo dos tribunais como “ferramenta” para alterar os resultados eleitorais.

A deputada pró democrata Claudia Mo, que acabou em lágrimas num encontro com a imprensa, disse que a acção do governo era “calculada”, afirmando que o executivo queria garantir que o campo pró democrata não vai ganhar nas próximas eleições intercalares todos os assentos que perdeu até à data.

O desqualificado Leung Kwok-hung disse que os quatro deputados afectados pela decisão do tribunal têm a intenção de recorrer da sentença.

Foram dadas duas semanas aos quatro deputados desqualificados para abandonarem os respectivos gabinetes no LegCo.

 

JTM com Lusa