As autoridades da Província de Liaoning decidiram suspender um polémico “curso de moral” que atribuía às mulheres um papel subserviente

 

Limpar, cozinhar e, sobretudo, não falar: estes eram os preceitos de um “curso de moral para mulheres” que as autoridades chinesas acabaram por suspender depois da divulgação de um polémico vídeo filmado numa das aulas.

“As mulheres têm de falar menos, limpar mais e calarem-se”, sublinha uma professora a um grupo de estudantes, no vídeo que se tornou viral nas redes sociais. “As mulheres não deveriam esforçar-se para subir na escala social, mas sim ficar sempre no nível mais baixo”, continua a docente do curso, organizado em Fushun, cidade da Província de Liaoning, no nordeste do país.

“Se encomendarem comida ao invés de cozinhá-la, estão a desobedecer às regras das mulheres”, reforça depois um instrutor.

Por iniciativa da Associação de Pesquisa sobre a Cultura Tradicional de Fushun, estas aulas começaram em 2011 com o objectivo de defender os valores confucianos, mas só agora causaram grande revolta com a divulgação das imagens.

“É a escravidão para as mulheres, não a moral para as mulheres”, criticou um internauta na rede social Weibo. “Abandonam a essência da cultura chinesa e aprendem disparates”, lamentou outro utilizador.

A Câmara de Fushun assegurou que as aulas estavam a decorrer sem o aval das autoridades, pelo que serão suspensas, por evidenciarem “problemas com a moral social”. Segundo a agência oficial Xinhua, para além das aulas para mulheres decorrerem numa parte “não autorizada” da escola, foram abertas filiais em mais três cidades do país.

Fundados nos princípios da filosofia de Confúcio, os cursos de moral tradicional multiplicaram-se na China nos últimos anos, numa tentativa de propagar os valores de obediência e conservadorismo.

O confucionismo, venerado na época imperial, foi combatido pelos comunistas após a sua chegada ao poder em 1949. No entanto, nos últimos cinco anos, esta filosofia voltou a estar em voga, sob a Presidência de Xi Jinping, que não hesita em citar o famoso pensador para defender a cultura chinesa tradicional com fins patrióticos.

 

JTM com agências internacionais