A China é um parceiro fundamental para enfrentar os conflitos e desafios que atingem a Europa, como a guerra na Síria ou o “Brexit”, destacou a chefe da diplomacia da União Europeia

 

Sublinhando que “a China é uma peça muito importante para a segurança no nosso lado do mundo, na nossa região”, Federica Mogherini disse ontem que Bruxelas e Pequim “têm a responsabilidade global de se comprometerem com a defesa da segurança”.

Durante um encontro com alunos na Universidade de Tsinghua, em Pequim, a responsável pela diplomacia da União Europeia (UE) assegurou que, ao contrário de outros actores internacionais, a “UE não vê a autoconfiança da China como uma ameaça”, considerando o país asiático um parceiro com o qual existem “muitas oportunidades” para cooperar.

A chefe da diplomacia da UE expressou também preocupação sobre as tensões provocadas pelo programa nuclear de Pyongyang, sublinhando que Bruxelas e Pequim têm como responsabilidade evitar uma escalada militar na península coreana. “Todos percebem que uma crise com a Coreia do Norte tem implicações globais”, disse, no final de três dias de visita à China.

Para a também vice-presidente da Comissão Europeia, é necessário “esperança nos tempos difíceis que decorrem”, pelo que exortou a comunidade internacional a manter-se unida e “afastada da via militar”, tanto na península coreana, como na Síria.

E assinalou que a China e a UE devem usar a sua influência com todas as partes implicadas e “salvaguardar os direitos humanos” no conflito sírio, ao qual a representante prestará “especial atenção” nos próximos dias, durante a sua visita à Rússia. Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia voltou a vetar, no passado dia 12, uma resolução contra o regime de Bashar al-Assad por ataques a civis com armas químicas na semana anterior, enquanto a China se absteve.

Mogherini falou ainda da crise migratória, que na sua opinião “não é uma crise da Europa, mas sim de refugiados”. A política italiana excluiu qualquer vínculo entre a chegada dos refugiados e atentados terroristas, lembrando que os “últimos ataques na Europa foram perpetuados por europeus”.

Sobre o “Brexit”, destacou a “determinação a favor da integração europeia”. “Temo que o Reino Unido venha a perder muito mais do que a UE”, disse.

 

JTM com Lusa