A China enviou soldados para a sua primeira base militar além-fronteiras em seis décadas, no Djibuti, sugerindo uma mudança na sua estratégia para África, segundo analistas. A inauguração da base militar no Djibuti servirá para apoiar missões anti-pirataria, de manutenção da paz e assistência humanitária em África e na Ásia ocidental, de acordo com Pequim. A abertura da base ilustra também a expansão do alcance das Forças Armadas chinesas, acompanhando a crescente influência da China no continente africano. O país asiático é o principal parceiro comercial de África, de onde importa grande parte das matérias-primas de que precisa. A China e o Djibuti estabeleceram relações diplomáticas em 1979, mas a presença chinesa no país só ganhou ímpeto nos últimos anos, com a construção de grandes infra-estruturas, que incluem um porto, dois aeroportos e uma ligação ferroviária à Etiópia. Divulgado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, o projecto visa reactivar a antiga via comercial entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático. O projecto inclui uma malha ferroviária, portos e auto-estradas que permitam à China assegurar o fluxo de recursos naturais para o seu mercado e dos produtos transformados para a Europa. As instalações do Djibuti permitirão também à China retirar cidadãos chineses radicados em África e no Médio Oriente. Só no continente africano, estima-se que vivam cerca de um milhão de chineses.

 

JTM com Lusa