Berlim refutou ontem a acusação do Presidente norte-americano de que a Alemanha deve “importantes montantes de dinheiro” à NATO e aos Estados Unidos

 

O Presidente norte-americano disse no sábado que a Alemanha tem de pagar mais se quer beneficiar da protecção militar da NATO e dos Estados Unidos. A Alemanha deve “importantes montantes” à NATO e aos Estados Unidos, que lhe “fornecem uma defesa muito poderosa e muito cara”, escreveu Donald Trump num Tweet, menos de 24 horas após se ter reunido pessoalmente pela primeira vez com a Chanceler Angela Merkel, na Casa Branca.

No entanto, Berlim já refutou essa acusação. “Não há nenhuma conta onde estejam registadas dívidas à NATO”, afirmou a ministra da Defesa, Ursula Von der Leyen num comunicado, acrescentando que as contribuições para a NATO não devem ser o único critério para medir o esforço militar da Alemanha.

No encontro com Trump, Merkel reafirmou que a Alemanha pretende respeitar o acordo assumido pelos aliados em 2014 que prevê que os países membros da NATO aumentem as suas despesas militares para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) num prazo de 10 anos. A despesa militar actual da Alemanha é de 1,2% do PIB e poucos países da NATO atingem os 2%.

“Querer ligar os 2,0% que queremos atingir a meio da próxima década apenas à NATO é errado”, disse a ministra da Defesa, explicando que as despesas destinam-se igualmente “às missões de paz no âmbito da ONU, às missões europeias e ao contributo para a luta contra [o grupo] Estado Islâmico”.

Na reunião de sexta-feira, Trump e Merkel não esconderam amplas divergências em temas centrais como migração e comércio internacional. A difícil relação entre os dois dirigentes ficou mesmo patente quando posavam para as fotografias no Salão Oval e Trump evitou dar o protocolar aperto de mãos.

Na conferência de imprensa conjunta, ao ser questionado sobre a sua denúncia de ter sido espionado por Obama durante a campanha eleitoral, Trump decidiu gracejar, indicando que ele e Merkel tinham “uma coisa em comum”, já que as ligações da dirigente alemã foram interceptadas pela Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês). Porém, a piada não fez sorrir Merkel.

Além disso, Trump também fez referência directa a um assunto sensível para a Alemanha, país que recebe milhares de imigrantes e refugiados, ao relacionar a migração com a segurança nacional. Para ele, “a imigração é um privilégio, não um direito”. “E a segurança de nossos cidadãos deve sempre ser colocada em primeiro lugar. Não há dúvidas disso”, defendeu.

 

JTM com agências internacionais